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Mensagem do Presidente da CPV, Eugénio Fonseca, no Dia Internacional do Voluntário

Updated: Dec 7, 2020

“Voluntário para um futuro mais inclusivo” é o tema proposto, este ano, pela ONU para a celebração do Dia Internacional dos Voluntários. Feliz escolha, pois a missão primordial das/os voluntárias/os é facilitar o acesso às oportunidades disponibilizadas pela sociedade, para que toda a gente possa beneficiar delas, não só nas áreas sociais e sanitárias, mas em todas as que contribuem para que ninguém se sinta “fora de casa”. Todavia, não podem ser apenas mediadores entre as pessoas e as oportunidades, mas criadores dessas mesmas oportunidades. Isto implica uma inclusão maior dos que praticam voluntariado nas realidades de cada tempo e lugar. Ser voluntário não é ser “fazedor” de coisas sem qualquer tipo de exigência. As ações voluntárias realizadas espontaneamente não são más em si mesmas, no entanto não podem ficar-se apenas como reações emotivas estimuladas, apenas, por fatores externos e mais intensas quando as mesmas causas forem bastante mediáticas. Ser voluntário obriga a uma disponibilidade persistente e com uma predominância na necessidade dos outros e não só na minha pré-disposição de momento e de índole genuinamente reativa. Voluntariado e voluntarismo são dois modos de proceder bem diferentes.


O voluntário é inclusivo e faz que os outros também o sejam; está incluído e promove a inclusão. Para isso, é indispensável que conheça, em profundidade, o mundo que o rodeia. Faça opções em sintonia com as necessidades mais prementes e não apenas aquelas cuja solução lhe possa trazer, particularmente a si, prazer no que escolhe realizar; tem de saber o que está ou não nas suas competências; assume a formação específica para as tarefas como uma obrigação proveitosa, antes de mais, para si mesmo; assume a corresponsabilidade como um processo, para que nada aconteça sem o contributo diversificado de todos os intervenientes; procura que tenham em conta as suas vivências e, em diálogo sensato, aceitar tomar parte nas decisões. Só assim se poderá considerar um/a voluntário/a incluído na Organização em que desempenha as suas tarefas e, através dela, na sua comunidade. Também, procedendo, assim, estará em melhores condições de promover a inclusão.


O contributo dos/as voluntários/as para um futuro mais inclusivo passa, antes de tudo, por ser agente de prevenção e não apenas de remediação. É mais eficaz e eficiente assegurar meios inclusivos que assegurar processos de re-inclusão. Um dos desafios para o voluntário é que, quem se assume como tal, tem de se assumir como um “descobridor” de talentos, tenham esses talentos o interesse imediato, ou não, para o que se pretende alcançar; há que adotar uma estratégia, teoricamente, tão propalada, mas pouquíssimas vezes concretizada. Salvo exceções objetivas, ninguém deveria fazer nada “em vez de”, mas com os outros e com as sociedades, tenham elas a dimensão que tiverem, pois esse é o primeiro e decisivo passo para a inclusão. Não ignoro que, numa sociedade como a portuguesa, a “burocracite”, a excessiva autonomia institucional, o inadequado perfil de determinados atendedores… obrigam a uma missão de “mediador/a”. Tal função torna-se relevante na apresentação dos problemas de forma mais clara, bem como impulsionadora de maior autoestima de todos os intervenientes, que são os que precisam de ser incluídos e os que podem possibilitar que isso aconteça. Contudo é importante que os voluntários tenham em conta, nas diferentes áreas, mas sem esquecer que a Educação, Trabalho e Cultura têm um papel insubstituível.


Os próximos tempos são de grandes desafios, mas também de grandes oportunidades. Uma delas é o envolvimento do voluntariado na criação de trabalho para outrem que dele careça. Sem deixar de estar presente na colaboração a respostas assistenciais, seria importante eliminar as causas que estão na origem de tais necessidades. Uma Confederação Portuguesa do Voluntariado poderia cooperar na criação de trabalho, baseado no desenvolvimento local.


A “amizade social”, profundo conceito do Papa Francisco, é o grande apelo. Sem generosidade, dedicação e conhecimento em profundidade, a inclusão dos mais vulneráveis não terá futuro. Por isso, a prática do voluntariado é um direito e um dever. Que nada obstaculize esta obrigação. O Estado nunca esqueça que lhe compete criar condições para a promoção do voluntariado e jamais a de tutelá-lo. É isso que esperamos dele. É à CPV que compete animar e representar o setor do Voluntariado.


Queremos deixar uma mensagem de grande gratidão a todas e a todos os voluntários pelo muito e tanto que fazem e garantir-lhes que a nossa Confederação, conta com todas as suas confederadas, para que seja cada vez mais relevante o voluntariado em Portugal. Bem hajam todas e todos.


Pela Direção da CPV

O Presidente

Eugénio José da Cruz Fonseca




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