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Webinar 14º Aniversário da CPV - Voluntariado em Tempos de Pandemia

Updated: Jan 27

A Confederação Portuguesa do Voluntariado organizou a sessão online comemorativa do 14º Aniversário da CPV, dia 19 de Janeiro, cujo tema foi o Voluntariado em tempos de pandemia: As Novas Geografias do Voluntariado. O objetivo geral foi o de refletir sobre os impactos da pandemia no futuro do voluntariado em Portugal. Nesse sentido, participou com orador principal o sociólogo Manuel Carvalho da Silva, e duas organizações vencedoras do Troféu Português do Voluntariado 2020 deram o seu testemunho em termos de voluntariado em tempo de pandemia, a Associação Académica da Universidade do Minho e a CRESAÇOR.



Síntese Alargada da Sessão Aniversária


No dia 19 de janeiro foi proposta uma reflexão à volta dos impactos da pandemia no exercício do voluntariado e até que ponto nos obrigam a reestruturações que implicam como resultado final novas geografias e novas configurações. Tratou-se de uma aula do Doutor Manuel Carvalho da Silva que veiculou as seguintes ideias-chave que humildemente descrevemos.


A pandemia que, todavia, se encontra em desenvolvimento, impôs-se a todos os níveis. Os impactos não são definitivos porque ainda a estamos a viver. Temos de olhar a realidade a partir de 3 dimensões: do indivíduo, da família e da comunidade, esta última em toda a sua imensidão.


As exigências permitem pensar na necessidade de reajustamento ao nível da legislação, mesmo no âmbito concreto do voluntariado, mas este reajustamento merece todo o cuidado perante a hipótese de uma alteração profunda, uma vez que estamos a viver um contexto em mutação.


É imperativo que se pense no poder da própria Confederação Portuguesa do Voluntariado e, neste sentido, pensar também no poder que o voluntariado e o poder associativo têm em termos societais – necessidade de entender a realidade também pelos números.


Para além disso, é de vital importância discutir os valores para que estes se possam situar na sociedade. Bem comum, humanismo, enriquecimento da cidadania, são os valores a considerar.


Por outro lado, a necessidade de representações coletivas para uma intermediação (CPV e outros movimentos associativos. E decorrente destas representações, há que convocar outros atores para a discussão. É emergente a necessidade da intervenção na sociedade, sociedade esta que tem de estar presente na organização e na discussão a vários níveis (indivíduo, família e sociedade).


Há uma multiplicidade de desafios no mundo atual, com um peso enorme das discussões que decorrem ao nível geoestratégico, sendo o caso mais evidente, os posicionamentos entre os EUA e a China.


Também há por vezes a tendência de apresentar o lado negro, através do impacto, sem leitura da possibilidade positiva. No entanto, as flexibilidades que vão surgindo com a pandemia, podem abrir dois caminhos, um de vulnerabilidade e outro de coesão – E aqui pode residir o contributo efetivo do voluntariado, colocando todos os esforços no combate às dificuldades. Também o tempo está a ser menos controlado e este é o bem mais fundamental no voluntariado. São novas exigências e para lhes responder temos de abrir caminhos, não abdicando do que está constituído, deitando mão aos valores.


Em relação à geografia do voluntariado: grande necessidade de voluntários, há um espaço bastante amplo para atuar, apesar dos desafios que se colocam a partir do desenvolvimento tecnológico, as questões ambientais. Novamente dar particular atenção à observação do ser humano nas suas múltiplas realidades. Depois a invasão do teletrabalho no espaço familiar, emergindo a necessidade de estabilizar a realidade do teletrabalho. E com isto nasce também a necessidade para uma educação na utilização racional do tempo.


No final da magistral aula, convidámos duas organizações a trazer um aporte mais prático, partindo do mesmo mote. Ambos foram vencedores de categorias do troféu do voluntariado. Contribuem com duas grandes ideias que resumimos.


Rui Oliveira (Associação Académia da Universidade do Minho) | Esta associação partilha que viveu uma mudança nas atividades, com adaptação à realidade agora vivida. Viraram a sua resposta mais para as necessidades ao nível social, sentiram uma maior rapidez dos processos no contexto de voluntariado, isto é, enfatizaram a importância de não se demorar muito entre o momento que que nasce a ideia e a execução da mesma.


Ana Silva (Cresaçor) | Enfatizou a necessidade de humanização do papel dos voluntários e a necessidade de as associações passarem a responder de forma mais concreta às necessidades que as pessoas apresentam.



A CPV espera poder contar consigo, com a divulgação do evento, e deseja-lhe uma excelente sessão.



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